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MP deflagra Operação “Godos” em quatro estados para combater organização criminosa envolvida em extorsão e lavagem de dinheiro
Publicado em 12/11/2025 08:16
Notícias

O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta quarta-feira (12/11) a Operação Godos, com o objetivo de desarticular uma ampla organização criminosa responsável por crimes de extorsão, lavagem de dinheiro, homicídios, crimes ambientais e posse ilegal de armas, entre outros.

A ação é considerada a maior operação já realizada na história do MPRO, tanto pelo número de investigados quanto pelo volume de bens e valores bloqueados — que ultrapassam R$ 2 bilhões.

Megaoperação mobiliza mais de 500 agentes em quatro estados

A fase ostensiva da operação conta com o apoio de mais de 500 integrantes das forças de segurança e órgãos públicos, incluindo a Polícia Militar, Polícia Civil, Politec, Corpo de Bombeiros, Sesdec, Sedam e DER, além de forças de outros estados, como o Gaeco do Ministério Público de Mato Grosso e as Polícias Civis do Amazonas e do Pará.

Os mandados judiciais estão sendo cumpridos simultaneamente em Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Pará, abrangendo diversas cidades de Rondônia, entre elas Porto Velho, Nova Mutum Paraná, Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Rolim de Moura, Cerejeiras, Guajará-Mirim e Buritis.

Ao todo, a operação visa 50 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho. Também foram decretadas medidas de bloqueio e sequestro de bens avaliados em mais de R$ 2,05 bilhões, incluindo recursos obtidos por meio de atividades ilícitas e danos ambientais.

Organização criminosa agia com violência e ameaças

As investigações, iniciadas em setembro de 2022, apontam que o grupo atuava principalmente na região de Nova Mutum Paraná, zona rural de Porto Velho. O esquema envolvia extorsões e ameaças contra proprietários de terras, utilizando armas de fogo, inclusive de uso restrito, para forçar a transferência de propriedades por meio de contratos falsos.

As vítimas eram coagidas sob ameaças de morte, agressões e destruição de bens, incluindo maquinários e rebanhos. Após tomar posse das áreas, o grupo explorava os recursos naturais e realizava vendas ilícitas das terras, reinserindo o lucro no sistema financeiro por meio de lavagem de dinheiro, utilizando laranjas, empresas de fachada e transações imobiliárias fraudulentas.

Dano ambiental bilionário

Durante as investigações, foi identificado um desmatamento ilegal de aproximadamente 25 mil hectares — o equivalente a 35 mil campos de futebol — causado pelas ações do grupo criminoso. Além do impacto ambiental, um levantamento das movimentações financeiras revelou que os investigados movimentaram mais de R$ 110 milhões entre 2020 e 2025.

Maior operação do MPRO

Com o volume de medidas judiciais, número de envolvidos e valor bloqueado, a Operação Godos é considerada a maior já deflagrada pelo Ministério Público de Rondônia. Ela representa um marco no combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e à degradação ambiental no Estado.

 

Por Redação

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