A Polícia Civil de Rondônia, por intermédio da 1ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO 1), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DECCO), deflagrou na manhã desta sexta-feira (23 de janeiro de 2026) a 2ª fase da Operação Arur Betach. A ação policial, realizada em Porto Velho, teve como objetivo cumprir três mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão preventiva em desfavor de investigados por envolvimento em um grave caso de tortura.
Os suspeitos presos nesta etapa são apontados pelas investigações da DRACO 1 como coautores do crime de tortura, além de integrarem uma facção criminosa e terem empregado ameaças e castigos físicos contra as vítimas. A operação representa a continuidade do trabalho iniciado em outubro de 2025, quando a primeira fase resultou na prisão de uma influenciadora digital.
O Contexto da 1ª Fase: Influenciadora e Tortura
A primeira fase da Operação Arur Betach, deflagrada em 15 de outubro de 2025, ganhou destaque nacional com a prisão da influenciadora digital Iza Paiva. As apurações indicaram que a influenciadora ordenou que membros de uma organização criminosa aplicassem castigo físico, na modalidade de tortura, contra dois indivíduos. O crime teria sido motivado por um furto ocorrido na residência da ré.
A Polícia Civil de Rondônia afirmou, na época, que a influenciadora mantinha "estreitos vínculos" com a facção criminosa Comando Vermelho e utilizava suas redes sociais, onde exibia uma vida de luxo e viagens, para se comunicar com os membros do grupo.
A Continuidade da Investigação
Após a prisão da influenciadora, a DRACO 1 deu prosseguimento ao inquérito policial para identificar e responsabilizar todos os envolvidos no ato de tortura. O aprofundamento das investigações levou à identificação dos três alvos presos nesta segunda fase, que tiveram suas prisões preventivas e mandados de busca e apreensão cumpridos nesta manhã de sexta-feira.
A ação visa desarticular completamente o grupo responsável pelo crime e reforça o compromisso da Polícia Civil no combate ao crime organizado e aos crimes de tortura no estado de Rondônia.
O Significado de "Arur Betach"
O nome da operação, "Arur Betach", é uma expressão de origem hebraica que significa "maldito o que confia". A Polícia Civil explicou que a nomenclatura faz referência direta à passagem bíblica de Jeremias 17:5, que diz: "Maldito o homem que confia no homem".
A escolha do nome não é aleatória. A própria influenciadora presa na primeira fase havia publicado a citação bíblica em suas redes sociais logo após os fatos que se tornaram objeto da investigação, em uma aparente referência à traição ou desconfiança que teria motivado o crime de tortura.
Por Redação